domingo, 30 de outubro de 2011

OBRIGADO, NEYMAR! O SÁBADO DO DANIEL FICOU MUITO MAIS FELIZ!

Foto - Blog do Odir Cunha - www.blogdoodir.com.br


Era aniversário da mãe. Ele acordou umas oito horas - mais tarde que o normal. Estava quieto, incomodado, macambúzio. Uma carranca que ele não costuma carregar. Não tinha parada - andava de um lado para outro, como se procurasse algo. Tenta de cá, observa de lá, a mãe finalmente fulminou: "filho, você está nervoso com alguma coisa, preocupado?". Ele admitiu: "quero que o jogo do Santos chegue logo". Os ingressos já estavam comprados. Era dia de ver Neymar no Pacaembu. 

No almoço de comemoração, o humor melhorou um pouco, depois que ele comeu um espetinho de linguiça - e outro de coração de frango. Até me convidou para explorar o restaurante, apresentando e descrevendo cada objeto que encontrava pelo caminho. Mas não demorou muito e a carranca voltou - a mãe ganhou de presente uma camisa listrada do Corinthians. Ele saiu de lado, olhar desconfiado. Aproximou-se em silêncio de mim e disse: "pai, vamos embora. Quero colocar meu uniforme do Santos". Era preciso empatar aquele jogo de camisas.

Mais tarde, já devidamente uniformizado, enfrentou sem resmungar uma fila para lá de razoável, até que conseguíssemos chegar ao portão 17, que nos dava acesso às cadeiras laranjas do Pacaembu. Permanecia em silêncio, mas não era mau humor - era concentração, daquelas que só os torcedores de verdade conhecem. Assumimos nossos lugares a tempo de conseguir cantar os nomes dos jogadores - sinfonia que ele adora, e que entoamos juntos no carro, na volta da escola, e na hora do almoço (para desespero da mãe e da irmã). "Está cheio, né, pai?", animou-se, esboçando um sorriso ainda tímido. Adorou cantar o "vai para cima deles, Neymar", várias vezes. Segurou firme minha mão, apertando mesmo, quando o craque com o cabelo moicano loiro correu para a bola, para bater o pênalti, com menos de cinco minutos de jogo, e bem na nossa frente. "Gol!", gritou o estádio. Ele sorriu.

"Pai, o Arouca está jogando na lateral. O Adriano está marcando bem. Esse time do Atlético só bate! O Neymar é o melhor em campo. Por que o Rentería não chutou?". Um pouco mais solto, o Pequeno assumia ares de comentarista. Via bem o jogo. Te cuida, PVC! Só ficou assustado quando o estádio se revoltou com o gol legal de Neymar (que ele tinha comemorado pulando na cadeira), depois anulado pelo árbitro. Tentando escapar das vaias e do barulho ensurdecedor feito pela torcida, aninhou-se no meu colo, lábios tremendo, quase chorando, e me perguntou: "Pai, por que ele anulou o gol? Vai dar tudo certo?". Dei um beijo nele e respondi: "Vai". É, filho... torcer não é fácil.

Acalmou-se no intervalo, divertindo-se com as peripécias do Baleinha e do Baleião, os bonecos-mascotes que são responsáveis por distrair a torcida enquanto os jogadores retomam o fôlego. Voltou a olhar preocupado para mim, sem dizer uma só palavra, quando o Atlético empatou. Pulou com o segundo gol de Neymar. Comemorou o terceiro cerrando as mãos e erguendo os braços. E abriu finalmente um sorriso largo e impagável quando o craque fez o quarto. "Que golaço, pai". Abracei forte o Pequeno.

Sem mais carrancas, aproveitou a festa. Neymar deitava e rolava no campo - dribles, arrancadas, pedaladas, lançamentos. Como joga fácil. Futebol para ele é algo tão simples. Craque. Nas arquibancadas, o Pequeno respondia participando da "ola", que ia e vinha. Cantou o hino, empolgando-se no trecho que diz "nascer, viver e no Santos morrer é um orgulho que nem todos podem ter". Adorou ouvir a torcida gritando "olé". Leve, solto, calmo, arriscou até um "pai, falta muito para acabar?". Para ele, os 4 x 1, com quatro gols de Neymar, já estavam de bom tamanho. Para que mais?

Quando o árbitro apitou o final da partida, levantou e bateu palmas. Pediu: "pai, tira uma foto do bandeirão". Na saída, já na rua, queria uma camisa do Rafael. Não encontramos. Prometi procurar. "Então quero uma número 11, do Neymar". Fiquei de comprar. No elevador do prédio, perguntou: "quando é o próximo jogo?". Entrou em casa correndo, para alegria da mãe. Não demorou muito e já estava no quarto, jogando seu tradicional futebol de bexiga. Antes de dormir, ainda vimos na internet os melhores momentos do jogo. "Nossa, foi um golaço, né, pai?", comentou novamente, sobre o quarto gol. Foi dormir feliz.

O jogo contra o Atlético/PR foi o décimo primeiro que Daniel viu no estádio. O saldo é espetacular: dez vitórias e apenas um empate - ou seja, está invicto. Foram 30 gols a favor e só cinco contra. Viu a estréia do Neymar, em 2009. Viu os 9 x 1 contra o Ituano. Viu Giovani fazer gol - e jogar ao lado de Neymar e de Robinho. Viu o maestro Ganso em noite de gala. Viu Neymar fazer quatro gols na mesma partida. Já esteve na Vila Belmiro e no Pacaembu. Só não tive coragem ainda de levá-lo a finais. Mas, como ele é pé quente, estou pensando em mandá-lo para o Mundial, no Japão...

11 comentários:

  1. Esse é meu sobrinho querido! Estivemos juntos ontem, aplaudimos o Neymar, gritamos "é, Rafael", fizemos a "ola" e xingamos (muito) o juiz. Foi uma tarde/noite de sábado inesquecível. E, muitas outras virão!!!

    ResponderExcluir
  2. Daniel-apesar de seu avô ser são paulino, gosto de ver o seu amor, desde pequeno, pelo seu time.
    Eu, torço para o tricolor, mesmo estando muito ruim, como atualmente, desde a sua idade.O importante é sempre sermos fiéis aos nossos times.Só não quebre a casa, como seu pai.E, realmente,você é pé quente.Um beijo de um são paulino que muito ama o seu neto santista.
    Vovô Chico.

    ResponderExcluir
  3. Adorei!, como sempre!

    ResponderExcluir
  4. Adorei essa crônica esportiva de Chico, com belos lances do comentarista e torcedor Daniel, 5 anos. Graande Daniel!!!

    ResponderExcluir
  5. Texto sensacional, e mais sensacional ainda a paixão do "pequeno" Daniel pelo Santos. É bonito. Que continue assim, Dani!

    Beijos aos dois

    ResponderExcluir
  6. Chicao, gostaria de fazer um pré-contrato com o Daniel para ele vestir o manto sagrado do Santos em 2025, multa rescisória de E$100 milhoes, que tal?

    parabens, marco chadad

    ResponderExcluir
  7. Sr. Chico, fico emocionado quando vejo textos como o seu. Pena que moro muito longe e não posso ter o praze de levar minha filha, santista fnática, para um programa desses. Que inveja...
    Aliás, sugiro que alguém do site, façao com que Neymar leia esses textos, pois assim, tomará cada vez mais, noção do quão é amado pelos santistas.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
  8. continue santista!

    ResponderExcluir
  9. O tipo de torcedor que faz a gente tentar entender porque o futebol desperta isso nas pessoas, essa paixão...

    ResponderExcluir