quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

PREFEITO? NÃO, NÃO QUERO... AH, SIM, SEREI CANDIDATO.



Eleições municipais, 2004 - "Meu compromisso é governar São Paulo por quatro anos".




Fevereiro de 2011 - "Não quero ser candidato a prefeito de São Paulo. Já fui uma vez. Não serei de novo". 




Fevereiro de 2012 - "É um sonho ser prefeito da minha cidade". 




E agora, José?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

EM SÃO PAULO, PT E PSDB VÃO SE ENGALFINHAR. CHALITA AGRADECE.



Crédito - www.livrepensar.wordpress.com
Crédito - www.marcocito.blogspot.com

































A ressaca carnavalesca se foi. Devem ser aceleradas a partir de agora as articulações e definições relacionadas às eleições municipais deste ano. E a possível (provável?) entrada do ex-governador José Serra (PSDB) na disputa pela prefeitura paulistana, ventilada ainda antes da folia dos desfiles e das marchinhas, mesmo que ainda não oficialmente confirmada, já provoca alvoroço e reviravoltas nas estratégias e discursos que vinham sendo gestados pelos principais partidos e candidatos ao cargo, modificando de forma significativa as posições e funções das peças que estavam espalhadas pelo tabuleiro da sucessão municipal em São Paulo. 

Petistas e tucanos estão mais uma vez ouriçados, com os nervos à flor da pele - e, curiosamente, a briga que se anuncia entre os dois partidos, que promete ser ainda mais renhida e sem escrúpulos ou limites do que em situações recentes (vencer em São Paulo tornou-se questão de honra, uma espécie de vida ou morte para os dois lados), pode abrir espaço para a vitória de um tucano recentemente convertido ao peemedebismo (tendo antes passado pelo PSB) e com cara de bom moço - Gabriel Chalita. 

O PSDB parece ter ficado aparvalhado e apavorado diante da possibilidade real de aliança formal do atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) com o candidato petista, Fernando Haddad. Embora fosse um atentado ideológico (já discuti essa questão em outros textos do Blog), a parceria teria de fato, pragmaticamente, potencial para arrancar dos tucanos talvez o último efetivo bastião de resistência política do partido, o balão de oxigênio que lhes resta - a capital paulista, com impactos diretos também na sucessão estadual de 2014, pois fragilizaria por consequência e consideravelmente as pretensões de reeleição do governador Geraldo Alckmin.

A oposição ao governo federal, já praticamente sem discurso e sem rumo, seria solenemente enterrada, com o agravante simbólico de ver o prego no caixão ter sido colocado justamente no estado que o PSDB governa há 18 anos. Bateu o desespero no ninho tucano. Alckmin, tal qual um déspota, e depois de bancar as prévias internas, tenta desidratar as pré-candidaturas. Serra faz exigências e impõe condições para ser candidato. Se aceitar e vencer, o PSDB vai respirar aliviado. Ganhará sobrevida. Mas o ex-governador paulista verá ainda mais distante a chance de alcançar a Presidência da República, sua verdadeira obsessão - ou o eleitorado aceitaria, mais uma vez, encarar um mandato curto e oportunista, a fazer da Prefeitura apenas trampolim para o projeto nacional? O caminho estaria aberto para Aécio Neves, como deseja o grão-duque Fernando Henrique Cardoso.

Se perder - hipótese que deve ser seriamente considerada -, Serra não terá apenas decretado sua morte política, mas deixará o PSDB em péssimos lençóis. Por isso, se aceitar sair candidato, Serra e o PSDB irão para o tudo ou nada, e a vitória será uma questão de honra - e de sobrevivência. Por isso, a campanha que farão promete ser ainda pior e mais deplorável que os piores momentos vividos na disputa presidencial de 2010, principalmente se considerarmos o segundo turno. Serra não pensará duas vezes para bater forte e abaixo da linha da cintura, esparramando, de forma truculenta, seu rosário de baixarias e de barbaridades obscurantistas.  

Já o ex-presidente Lula deve ter ficado irritado com a turbulência repentina, em um céu que, na análise lulista, se anunciava de brigadeiro. A entrada de Serra na campanha, se confirmada, bloqueará uma aliança que foi fortemente alimentada e desejada pelo senhor de todas as ações no PT. Kassab, aliás, parece ter dado no petista aquilo que em futebol chamamos de nó tático. Em outras palavras, flertou, prometeu, estendeu a mão, namorou e finalmente deixou o noivo aturdido e agoniado no altar, abandonado, para voltar correndo para os braços do eterno amado (aqui, vale a pena ler o texto de Raphael Tsavkko).

O problema, penso, é que o estrago já está feito - e parece ser de proporções para lá de consideráveis: Marta Suplicy, que tem fortes raízes e ótima avaliação nas periferias paulistanas, é uma liderança política cada vez mais distante da candidatura Haddad; a possibilidade de aliança com o atual prefeito trouxe novamente à tona as fraturas do PT, e as peças podem não se colar a tempo de uma disputa que promete ser cascuda; o pouco da militância histórica que ainda resta (líderes comunitários, movimentos sociais, intelectuais) está cada vez mais desanimada e desconfiada; o PT corre o risco de seguir quase sozinho (antigos parceiros e aliados nacionais, como PDT e PSB, negociam com os tucanos em São Paulo); por fim, o PT acaba perdendo também o fôlego do discurso de oposição à administração demo-tucana de Kassab. Na primeira crítica ao atual prefeito, durante a campanha, bastará exibir na televisão aquele telão com a imagem trágica de Kassab acenando para os líderes e militância petistas, no evento de comemoração do aniversário dos 32 anos do partido. Xeque-mate. Que lástima...

A questão é que, para Lula, tornou-se também uma obsessão desalojar os tucanos do último bastião político que lhes resta. Não se assustem se o PT topar e mergulhar no jogo sujo e abandonar o debate político para investir numa cruzada santa e messiânica de tudo ou nada. A aproximação com líderes evangélicos de correntes religiosas para lá de conservadoras dá bem o tom da premissa sugerida por Lula e abraçada pelo PT - é preciso derrotar o PSDB em São Paulo, a qualquer custo.

No embate eleitoral (não necessariamente político) daqueles que estão ideologicamente cada dia mais próximos e parecidos, pode não sobrar pedra sobre pedra nos dois quartéis generais. Quem vai agradecer é Gabriel Chalita, o moço de fala mansa, autor de best sellers, cheio de idéias para a Educação, que exala religiosidade e guarda sorriso sedutor no rosto. Ele observa em silêncio o cenário que se anuncia. E comemora. Ainda que, em meio a destroços, Haddad e Serra cheguem ao segundo turno, Chalita tem plena consciência de que terá papel fundamental e protagonista na disputa, com cacife para quem sabe definir os rumos finais da eleição. Saberá certamente negociar esse apoio. Se chegar ao segundo turno para enfrentar Haddad, terá o apoio de Serra - e vice-versa. Em qualquer dos cenários, partirá como favorito.

E a cidade de São Paulo, que passou os últimos sete anos sob a batuta higienista demo-tucana de Kassab, poderá cair nas mãos daquele que sem pudores mistura política com religião e auto-ajuda, transformando debate em pregação. E que, eticamente, já declarou que não vê problemas em ter aproveitado (quase na íntegra) a dissertação de mestrado que fez na área de Ciências Sociais para produzir outra dissertação de mestrado, desta feita no curso de Direito. O que interessava mesmo era conseguir a dupla titulação, mesmo que com apenas um trabalho acadêmico original. Vale tudo.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O PT DE APOLÔNIO? OU O PT DE KASSAB?



O Partido dos sonhos e das utopias dos trabalhadores...

video

... transformou-se no Partido dos pesadelos dos trabalhadores.

Na festa dos 32 anos do PT, o mestre de cerimônias
anuncia a presença do "COMPANHEIRO Gilberto Kassab".

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

GREVE DA PM NA BAHIA - PARA ALÉM DOS "ANJOS E DEMÔNIOS"


Crédito - www.portalctb.org.br

Sugeri modestamente nas redes sociais que procuremos lançar um olhar para a greve da PM na Bahia com disposição para escapar do "lá ou cá, do tudo ou nada, dos anjos e demônios", buscando também sutilezas e nuances de análise. 

Greve é direito constitucional, instrumento de luta política, de emancipação do trabalhador. Reivindicar aumento de salário e condições dignas de trabalho, que minimizem a exploração pelo capital, é não só legal, mas justo e legítimo. Tais movimentos, no entanto, não podem ser conduzidos sob a ameaça de armas. Não podem por exemplo resultar em barricadas, ataques e incêndios a ônibus praticados por policiais, dentre tantos outros atos de barbárie, como denunciam moradores de Salvador. Sem generalizar - mas há certamente malandros, irresponsáveis e oportunistas no movimento, flertando muito de perto com o banditismo social, que se aproveitam da greve para fazer politicagem (não política) e disseminar pânico e terror na população, às vésperas do carnaval e em ano eleitoral.

Ao mesmo tempo, lamento, mas não me cheira bem essa tentativa de blindar e de santificar o governador Jaques Wagner, só porque ele é do PT – partido que, aliás, foi ponta de lança da greve da PM ocorrida na capital baiana em 2001, quando estava na oposição. Agora que é governo... Wagner foi no mínimo pouco hábil, politicamente insensível, omisso.

Escreve o jornalista Ricardo Kotscho, que inclusive é amigo de Jaques Wagner: “ex-líder sindical, não é possível que o governador não estivesse informado sobre o barril de pólvora armado pelos policiais militares às vésperas do Carnaval, quando embarcou para Havana, acompanhando a presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira passada. No dia seguinte, a assembleia dos policiais decretou greve, que já conta com o apoio de um terço da categoria. (...) Deveria ter negociado e tomado providências antes, como bem sabe por sua formação sindical e a experiência de 2001, quando houve a primeira grande rebelião da PM".

pena lúcida da jornalista Cynara Menezes tenta também fazer um convite à racionalidade. Ela lembra que não é mais possível aceitar que o governo petista jogue na conta do carlismo (legado de Antônio Carlos Magalhães) o cenário de caos que se instalou na capital baiana. “É correto que policiais, para fazer reivindicações, amedrontem a população? Não. Mas tampouco é correto que policiais, numa sociedade democrática, nem sequer tenham suas reivindicações ouvidas pelas autoridades. “Nem plano de cargos e salários eles têm”, diz o professor de Desenvolvimento Urbano Carlos Alberto da Costa Gomes, coordenador do Observatório de Violência da Bahia. Costa Gomes também é contra policiais intimidarem pessoas. Mas adverte que tudo chegou a esse ponto porque há 30 anos os policiais baianos pedem praticamente as mesmas coisas. Ou seja, não foram atendidos por ACM –nem por Jaques Wagner”, escreve a repórter de "Carta Capital".

Claro está que o governo do estado também pisou feio na bola. Poderia ter evitado o confronto. Mas preferiu ignorar sinais evidentes de que algo não ia bem. Na segunda-feira, dia 06 de fevereiro, em entrevista publicada pela “Folha de São Paulo”, Jaques Wagner admite que a avaliação feita pelos órgãos de inteligência da administração municipal que monitoravam as assembleias dos policiais militares foi equivocada. É quase uma confissão de culpa: o governo foi surpreendido pelo tamanho do movimento grevista.

A sensação que fica é de uma mistura de soberba com descaso e desdém, algo como "vamos empurrar com a barriga, não vai dar em nada, deixa estar para ver como é que fica". O problema é que ficou - e a situação agora está para lá de enroscada. As posições se radicalizaram, os policiais militares estão aquartelados, a Assembleia Legislativa foi cercada por tropas federais. Não há interlocução. E o governo agora não sabe muito bem o que fazer.

E só para fechar com mais um convite à reflexão – na verdade, é uma provocação ao cabo-de-guerra PT x PSDB que monopoliza (e empobrece ao extremo) o debate político nacional: já imaginaram se uma greve da PM explodisse em São Paulo e Geraldo Alckmin estivesse no exterior? O que estaríamos escrevendo nos blogs e nas redes sociais? Pois é.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"FOLHA" DIZ QUE É. MAS O FATO É QUE NÃO É O JORNAL MAIS VENDIDO DO PAÍS


A história é sórdida e tem requintes de arrogância, de descompromisso com a verdade e com a precisão da informação, revelando ainda solene desprezo pelos leitores que abrem o jornal no café da manhã do domingo em busca de notícias sustentadas e bem apuradas - aquelas que, em nome do bom jornalismo, pretendem reconstruir a melhor versão possível da realidade. Pois privilegiando o marketing e a auto-promoção, a imagem e a marca, a "Folha de São Paulo" decidiu mandar às favas e jogar na lata do lixo todos esses princípios, oferecendo ao seu leitor uma "realidade paralela" - aquela que o veículo gostaria muito que existisse, mas que não encontra respaldo e sustentação em dados e fatos concretos. Trocando em miúdos: a "Folha" desrespeita a inteligência de quem a lê.

Vamos aos fatos. Já era de conhecimento público que, em 2011, o jornal que mais vendeu no Brasil foi o "Super Notícia", de Belo Horizonte. De acordo com dados consolidados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), oficialmente reconhecido como o responsável por fazer esse tipo de levantamento, a publicação mineira vendeu em média 300 mil exemplares diários, no ano passado. Em segundo lugar, aí sim, aparece a "Folha", com 297 mil exemplares/dia (números arredondados); em terceiro, está o "Globo" (264 mil/dia). O jornal "O Estado de São Paulo" ocupa a quarta posição, com 254 mil/dia. 

Agora, a "versão" - ou melhor, a invenção. Eis que a "Folha" estampa hoje em manchete de primeira página que "Folha é líder nas edições impressa e digital, diz IVC". Fiquei intrigado. Como assim? Fui ler a "matéria", publicada pelo caderno "Mercado", página B5. O exercício discursivo, insisto, é de estarrecer. Para apresentar os seus resultados, os números que lhe são interessantes e tentar faturá-los, a "Folha" simplesmente ignora o "Super", retira arbitrariamente o jornal mineiro da relação consolidada pelo IVC e considera apenas os jornais "de prestígio, do segmento premium". 

Diz o lide (abre, no jargão jornalístico) da "matéria" que "A Folha encerrou o ano de 2011 na liderança entre os jornais de prestígio do Brasil, tanto na plataforma papel como na digital. Com crescimento de 0,9% e 297 mil exemplares diários, é o único verdadeiramente nacional, com influência fora do Estado de origem".

O leitor deve avançar até o oitavo parágrafo do texto (e ler uma série de elogios ao prestígio e à suposta liderança da "Folha") para finalmente descobrir que está sendo ludibriado. Reproduzo mais uma vez a "Folha": "Quando incluídos os jornais populares, o "Super Notícia", tablóide de R$ 0,25 de Belo Horizonte, registra 300 mil exemplares na média do ano, 3.000 à frente da Folha, que tem preço de capa de R$ 3 (R$ 5 aos domingos)". 

Pronto: a farsa está assumida (embora tenha sido escondida e diluída). É a "Folha" quem reconhece: o "Super" vende mais que ela. Essa é a informação que deveria ter sido estampada na capa, nos títulos e na abertura do texto. Do alto de sua soberba e brigando com os fatos, o jornal paulista se recusa a assumir que já não tem mais o prestígio e a importância que um dia talvez tenha alcançado. Ressentida, inconformada, destila ainda seu veneno para desqualificar o "Super Notícia". O que está o jornal paulista a sugerir é que "nós temos relevância; eles, não". É a arrogância de quem agoniza em praça pública.  

No ensaio "Padrões de manipulação na grande imprensa", Perseu Abramo alerta para a estratégia da ocultação, "o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade".

Ao tentar legislar em causa própria e construir sua lista (quem define mesmo o que é "prestígio"?), à revelia do que foi divulgado pelo IVC, a "Folha" esconde a realidade e passa longe, muito longe, das regras básicas e elementares do jornalismo - e trapaceia, desinforma o leitor. A verdade é cristalina: o jornal impresso mais vendido do Brasil em 2011 foi o "Super Notícia" (que, aliás, já liderara o ranking também em 2010). Contra fatos não há argumentos. E falta com a verdade publicamente quem sonega essa informação aos seus leitores.