quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A QUEM INTERESSA DEMONIZAR A USP E OS ESTUDANTES DA USP?

Passei o final de semana agoniado, acompanhando a ocupação do prédio da Reitoria da USP. Na segunda-feira, com a ordem judicial de reintegração de posse já estabelecida, o prazo para saída dos estudantes se esgotando e conhecendo as autoridades que governam o Estado de São Paulo e o comportamento da Polícia Militar paulista nestas situações, postei em minhas páginas nas redes sociais uma espécie de desabafo: o resultado final da ocupação será o recrudescimento do discurso fascista militarizado ("prende, mata, arrebenta, esfola, detona") e o tom também elevado em relação à "necessidade urgente" de privatização da universidade (o mantra do senso comum que diz que "afinal lá só estudam playboys endinheirados"). A guinada à direita será forte".

Gostaria de ter sido contrariado pelos fatos. Lamentavelmente, os desdobramentos só fizeram confirmar a avaliação. Depois de muitas leituras, momentos difíceis e muito doídos de reflexão e de dialogar com Elisa Marconi, companheira de sempre, e ainda com o jornalista e professor Fabio Cardoso, interlocutor de todas as horas, alcançamos mais uma perigosa constatação: como resultado dessa onda conservadora, organiza-se como uma orquestra cada vez mais ensaiada e afinada uma campanha de desmoralização da USP, em nome de projetos educacionais mais sintonizados com os ventos da pós-modernidade tecnicista. Nesse sentido, para fechar o circuito, é preciso fazer valer a estratégia da metonímia e criminalizar os estudantes da mais importante instituição de ensino superior da América Latina – ao bater na parte, atingem também o todo.   
  
Para não deixar dúvidas no ar: desde o início, fui contra a ocupação do prédio da Reitoria. Não vou esconder aquilo que pensava – e penso. Fiz questão de, em diversas ocasiões, distintos espaços, manifestar publicamente essa posição. Na minha avaliação, não havia mais sentido político na ação. Tinha se transformado em arruaça festiva de uma minoria que não soube aceitar a democracia, pois tinham sido inclusive derrotados em assembleia dos estudantes, quando da saída do prédio da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O falso esquerdismo conduzia o movimento ao isolamento, o que é sempre perigoso. Não havia mais interlocutores, mesmo quando se considerava o campo das forças democráticas e progressistas. Essa foi minha crítica – política, argumentada, à esquerda, e não reverberando bobagens reacionárias e simplistas como “só estão lá porque querem fumar maconha”. Sempre repudiei esse discurso estúpido. A assembleia realizada na noite desta terça-feira, no prédio da História, a maior dos últimos anos, que reuniu cerca de três mil estudantes e votou pela greve geral, mostra que talvez outras pontes e articulações pudessem ter sido estabelecidas. Minha divergência foi sempre política, com os rumos do movimento – e, como tal, está sujeita a divergências e contestações. Tenho procurado ouvi-las, todas – as que realmente representam reflexões que fazem diferença. Para tolices e sandices, tenho mantido os ouvidos fechados.

Essa é uma questão.

Outra, gigantescamente diferente, diz respeito às reações que se proliferam como praga em relação à invasão do campus universitário pela PM e às prisões dos estudantes. São de arrepiar os cabelos. Tenho comentado com alguns amigos que fico aliviado por saber que tantos outros conhecidos, pessoas próximas de nossos círculos sociais, não façam parte da tropa de choque da PM paulista. Se fizessem, o estrago poderia ter sido ainda maior.

“Foi pouco, deveriam ter batido mesmo, para machucar, para deixar marcas, para aqueles vagabundos nunca mais esquecerem de como devem se comportar”. “Precisam ser todos expulsos sumariamente, não merecem estudar, são vândalos, destruíram um patrimônio que é nosso”. “Seria bom se passassem algumas noites na cadeia, junto com colegas bandidos, para ver como é bom posar de rebelde”. “Fosse eu, saía arrastando todo mundo, puxando mesmo pelos cabelos”. “São cidadães (mantenho a grafia errada, pois foi assim que ouvi) de quinta categoria, queimaram a bandeira do Brasil, violaram um símbolo pátrio”.

Essas foram algumas das falas que andei ouvindo durante as últimas 24 horas. E, pasmem, todas, sem exceção, vieram da fina flor da intelectualidade, são pessoas supostamente esclarecidas, bem formadas. Fazem questão de dizer que são democratas. Confesso que em alguns momentos imaginei que estivesse repentinamente participando de encontros do Partido Nacional-Socialista da Alemanha – ou do Comando de Caça aos Comunistas, nos anos 1960. Difícil debater nesse nível. Porque não há racionalidade, argumentos, muito menos disposição para ouvir – apenas uma sanha incontida de “esfola, arrebenta, faz justiça com as próprias mãos”.

Tais iluminados cobraram dos estudantes o cumprimento irrestrito das leis, o respeito à ordem. “A Justiça mandou sair”. Mas não só esperavam – como exigiam – da PM comportamentos duros, de arbítrio e de exceção, que não respeitassem qualquer norma legal ou constitucional e atentassem de forma consciente e deliberada contra a dignidade humana, as garantias individuais do cidadão. Justiça? Ou vingança? Aliás, sobre essa questão, durante o regime do apartheid na África do Sul, brancos racistas diziam para Nelson Mandela: "a lei está do nosso lado". O líder das lutas contra o racismo respondia: "e a Justiça, do meu".

A democracia destes pseudo-intelectuais-democratas é seletiva, vale para lá, mas não par cá; apenas direitos de alguns devem ser respeitados. Quando é assim, não é mais democracia, mas ditadura – “todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”, como traduziu o escritor George Orwell no clássico “A revolução dos bichos”. O fascismo é assim – chega sorrateiramente, vai contaminando o tecido social. Quando a gente abre os olhos...

Notem também como temos vivido recentemente a Era dos Adjetivos. Os ministros são corruptos, as ONGs são pilantras, os morros e as periferias são violentos, a universidade pública é ineficiente, Lula é um privilegiado – e os estudantes da USP são “maconheiros e mimados”. O adjetivo é o argumento de quem não tem argumentos. Reduz o mundo complexo a uma marca – repetida exaustivamente, transforma-se em rótulo, que não desgruda mais. Funciona para desqualificar, para agredir, para achincalhar, para impor falsas verdades. Jamais para debater. Porque, para tanto, é preciso estar disposto a ouvir, a descobrir, a mergulhar, a pensar – e não só a reproduzir qualidades ou defeitos colhidos aos quatro cantos. E tome senso comum!

Em um texto obrigatório para entender o empobrecimento e a banalização elevada à enésima potência das discussões públicas – e a repercussão reacionária do episódio da USP -, o jornalista Mauricio Caleiro escreve que "o debate sobre questões internas involui não apenas na forma (a difamação e os ataques pessoais substituindo o diálogo civilizado e a argumentação), mas também no conteúdo (com pressupostos que há pouco eram exclusivos de fanáticos de direita tornando-se de uso corrente entre os estratos médios e altos)".

E os adjetivos, consistentes na forma, frágeis nos conteúdos, não resistem ao mais leve sopro dos fatos – e dos argumentos. A Universidade de São Paulo, fundada em 1934, é a mais antiga do Brasil (Oxford é de 998; Harvard, de 1636). Tem mais de 80 mil alunos (graduação e pós-graduação) e reúne 36 unidades de pesquisa e de ensino, espalhando-se também pelo interior do Estado, em cidades como Bauru, São Carlos e Ribeirão Preto. Em 2011, o QS World University Ranking indicou que a USP é a 169 universidade mais importante do mundo – e a melhor da América Latina. Já no Times Higher Education World University Rankings, a USP aparece em 178 lugar – é a melhor da Ibero-América.  

Em 2009, o Brasil publicou cerca de 33 mil artigos científicos em revistas internacionais indexadas (cerca de 2% da produção mundial). A USP foi responsável por algo em torno de 25% destes trabalhos – o que significa dizer que a instituição paulista é responsável por algo em torno de 0,5% da ciência feita no planeta. Dos cursos de pós-graduação brasileiros avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 25% dos considerados de excelência (notas 6 e 7) estão na USP – com significativa contribuição da área de Humanidades. Dos bancos da Universidade paulista saíram mais de dez presidentes da República (Jânio Quadros e Fernando Henrique Cardoso entre eles).

Por feliz coincidência, no mesmo dia em que aconteceu a invasão do campus pela PM, recebemos notícia que revelava que um estudante de graduação de Química - da USP - contestou e aperfeiçoou trabalho que havia sido desenvolvido há 70 anos por Linus Pauling, Prêmio Nobel da área. O estudo foi publicado na Physical Review B, da American Physical Society, uma das revistas científicas mais importantes do mundo. Pois então... essa é a USP improdutiva? Esses são os “vagabundos e mimadinhos” da USP? Ah, os adjetivos...

Quer dizer então que a USP é o mundo dos sonhos? Certamente que não. Aliás, vivemos agora um bom momento para repactuar o espaço que a Universidade de São Paulo pode ocupar na vida da cidade – em todos os sentidos – e no cenário acadêmico e científico nacional. É mais do que hora também de discutir a democracia e as relações internas, os órgãos de gestão e de decisão da Universidade, a participação de professores, alunos e funcionários nesses debates, a relação que a instituição precisa construir efetivamente com a sociedade (lazer, cultura, finais de semana no campus, transporte). Esse é o debate. A premissa? A universidade deve ser pública, gratuita, democrática e com ensino de qualidade, fazendo valer ainda o princípio constitucional de pesquisa e assistência.

É fundamental discutir segurança no campus universitário? Certamente. Mas não sob o viés da repressão, da presença ostensiva e arbitrária de uma PM que pretende criminalizar e perseguir estudantes e transformar alunos em bandidos. Tenho arrepios a esse cenário. Escolas e universidades, para mim, são templos dos saberes e do conhecimento, onde o argumento prevalece. Não os fuzis, fardas, botas e escudos. Vejam só: essa cena era mesmo necessária? É essa a polícia que queremos atuando na USP, cotidianamente? Aliás, para quem deseja travar contato com o outro lado da invasão da Reitoria pela PM (não o da mídia parcial e sectária, que já fez suas escolhas), recomendo a leitura deste texto, produzido por uma aluna da USP que não participava da ocupação, mas que acompanhou a truculência policial.

Se é para pensar em segurança de verdade, sugiro dialogar com as sugestões da urbanista Raquel Rolnik, para quem "é uma enorme falácia, dentro ou fora da universidade, dizer que presença de polícia é sinônimo de segurança e vice-versa. O modelo urbanístico do campus, segregado, unifuncional, com densidade de ocupação baixíssima e com mobilidade baseada no automóvel é o mais inseguro dos modelos urbanísticos, porque tem enormes espaços vazios, sem circulação de pessoas, mal iluminados e abandonados durante várias horas do dia e da noite. Esse modelo, como o de muitos outros campi do Brasil, foi desenhado na época da ditadura militar e até hoje não foi devidamente debatido e superado. É evidente, portanto, que a questão da segurança tem muito a ver com a equação urbanística”. Recomendo ainda a leitura de “A cortina de fumaça da segurança da USP”, de Pablo Ortellado. Preciso, certeiro.

Não é difícil concluir que o desejo de uma PM pautada pelo viés da repressão é consequência da administração de um Reitor também marcada pelo autoritarismo. João Grandino Rodas, ex-diretor da Faculdade de Direito (aliás, já foi declarado, por unanimidade, persona non grata pela comunidade da São Francisco), tem estimulado caça às bruxas, processos administrativos, perseguições internas, contratações suspeitas, sufocando as demandas democráticas da comunidade uspiana e sucateando e instrumentalizando a Universidade. Vale lembrar que, nas eleições de 2009, Rodas foi o segundo colocado na lista tríplice da USP (o vencedor foi o sociólogo Glaucius Oliva); apesar disso, o atual Reitor foi o indicado pelo então governador José Serra (PSDB), quebrando a tradição de nomear o mais votado pela comunidade. Tal situação havia acontecido pela última vez à época da ditadura militar, no governo de Paulo Maluf. Em 2009, Serra respeitou a democracia interna? Ou preferiu afinidades ideológicas, em nome de outros projetos? E o que esperar de um Reitor que já assume sem apoio, respaldo e legitimidade de seus pares? Aqui, vale ler "A ditadura e seus fósseis vivos na USP de 2011", de Ana Paula Salviatti.

Teria muito ainda a dizer, talvez volte ao tema. Mas penso honestamente que já há elementos suficientes para contribuir com o debate. E, dito tudo o que está aqui, fica a pergunta, para reflexão coletiva: a quem afinal interessa demonizar a USP e os estudantes da USP?


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EM TEMPO - É um problema que ainda não consegui resolver - muitos dos leitores não conseguem postar comentários por aqui (somem na rede, sequer aparecem para a moderação). Não sei o que acontece, sinceramente. Para tentar minimizar o problema, para os que desejarem, peço por gentileza que encaminhem esses comentários para o meu e-mail (chicobicudo2@gmail.com). Repassarei essas contribuições para cá, com os devidos créditos. Lembrando sempre que não serão liberados comentários intolerantes, agressivos e preconceituosos. Muito obrigado!

28 comentários:

  1. Muito triste! Um comportamento precipitado logo se converte em espaço para a voz da direita. E fico pensando: que falta faz uma liderança política legitima, um norte ideológico... que pondere sobre as atitudes e suas possiveis consequências, que oriente sobre os posicionamentos discursivos.

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  2. Chico, faz tempo que eu não lia algo que me falasse tanto ao coração! Obrigado!!!
    Agora também sigo seu blog e 'Foicebook'.
    Se você permitir, depois eu gostaria de postar seu texto no #tecedora.
    Abraço fraterno,
    sérgio @M100globope

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  3. Outro texto bem equilibrado para ser lido, ´este aqui:

    https://www.facebook.com/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-v%C3%AA-de-fora/2459499642739
    à essa "adjetivação" eu chamo de ressentimento.
    Parabéns pela análise.

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  4. A mais antiga universidade do Brasil é o que hoje é a UFRJ.. a então Universidade do Rio de Janeiro foi criada em 1920.

    http://quimicanova.sbq.org.br/qn/qnol/2007/vol30n7/49-AG07011.pdf
    http://www.ufrj.br/90anos/

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  5. Você colhe o que vc planta, meu caro. Já lhe ocorreu que eles atrairam a ira das pessoas por causa do comportamento arrogante que tiveram. Simples!

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  6. PARABÉNS pelo texto. Lindo. Obrigado!

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  7. Os dois lados da discussao estao certos. uma minoria lutou por algo importante por motivos fúteis.

    O ponto principal é, se tem repressão, se tem policial abusando de autoridade, porque nao trazer isso a reitoria, a impremsa, a justiça, e deixar os órgaos resolverem?

    O que pareceu foi sim uma tentativa de manter uma privacidade para fazer coisas ilegais onde não se deve. COncordo, policia nao tem o direito de ficar revistando ninguem por nada, mas eles pegaram alunos usando drogas. Dentro das dependencias da USP. Porque não admitir que isso foi bom, e mostrou que eles estao fazendo seu trabalho?

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  8. Juro que eu tentei entendê-los, juro. Pesquisei os lados, colhi depoimentos. E até agora, com uma enorme agonia, sério mesmo, não consegui. Ainda tenho um pensamento pífio e ignorante talvez, de dizer: "Os alunos que fizeram parte disso não querem o policiamento no campus para ter liberdade de fumar seus baseados livremente". Todas as entrevistas com os "pensadores" envolvidos eles diziam: "fumar maconha não tem nada com essa manifestação", então o que é? "A polícia militar não faz parte do nosso mundo e vão atrapalhar a nossa liberdade de pensamento"....Juro que eu quero uma resposta.

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  9. Flavia Martins Gonçalves10 de novembro de 2011 10:01

    finalmente um texto q esclarece os fatos e vai a fundo nas questões essenciais q estão em jogo no episódio da invasão da reitoria da usp. parabéns pelo texto e espero q os idiotas q dizem q a "puliça" tinha q ser ainda mais truculenta possam aprender alguma coisa ao lê-lo. grata.

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  10. Ser de direita não é um defeito. Atacar/culpar a direita pela repercussão dos atos cometidos por pseudo-esquerdistas é precipitado e simplista. Além de ser um tremendo de um preconceito. Fala aqui alguém da direita bastante culto e instruído, que não gosta de imposição e arbitrariedades.

    Diálogo sempre!

    Abraços a todos!

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  11. Na boa? O que o Brasil está precisando é de algum orgão que regulamente as mídias.

    O PSDB desrespeitou totalmente a vontade popular e indicou o segundo colocado. Protestos vem acontecendo há tempos mas a mídia noticia com o unico intuito de causar a furia da direita imbecil, acalorada pela igreja na cruzada anti-maconheiros.

    Em debates pela internet o que vejo são xingamentos, rotulos de drogados, "pessoas esquisitas de cabelos feios"... ou seja, só merda. Conteúdo que é bom, NADA!!!!!

    Muito bom o texto e mesmo depois de postar num forum que o Dr. Nicolelis havia divulgado o texto, se tornaram ainda mais radical pois viram que no argumento não venceriam mesmo.

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  12. Parabéns vc falou como um verdadeiro ser humano, com coração!!!!!

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  13. Parabéns Chico! Mais uma vez você desenvolveu um otimo texto!

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  14. Queridão! Creio que os assuntos aqui abordados não são de minha conta pois sou totalmente alheio ao que acontece na USP exceto por aquilo que está sendo noticiado. Graças a Deus que eu não comentei sobre nenhuma destas questões pois estaria falando do que não conheço, não é verdade?
    Meus comentários foram baseadoa apenas no que diz respeito ao âmbito da situação, deste episódio. Não falei do que não sabia pois só falei sobre o que está nos jornais! Os estudantes que entraram na reitoria, "bagunçaram" a reitoria. Pecaram na forma de protesto, poderiam usar de uma estratégia diferente de abordagem, as coisas não se resolvem desta maneira. Desobedeceram uma ordem judicial, pelo que, acabaram por ter que serem retirados da reitoria em uma ação simplesmente espetacular por parte da polícia. Se a polícia é arbitrária ou não, não me diz respeito, mas, sobre a "causa" dos grupo, defino-a com uma palavra: ridícula.
    Respeito o título do seu post mas discordo pois qualquer pessoa inteligente percebe que não há uma "demonização" da USP ou dos seus estudantes. O que há é apenas uma condenação, por parte da sociedade, desta causa ridícula e sem fundamentos que é defendida pelo grupo. Já sobre gandhi, creio que não teria muito o que aprender com este "pensador", mas obrigado mesmo assim! Embora discorde de algumas de suas opiniões, respeito-as, pois não sou o dono da verdade. Abraços! OBS: Li seu post todo!

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  15. É simples. Polícia no campus a mando do reitor é dar a ele poder de fazer o que quiser.

    Ou alguém acha que ele vai 'autorizar' uma manifestação, mesmo que pacífica, que atinja aos seus interesses??? Poucas pessoas tem noção do quão perigoso isto é.
    Vai rolar o cacete em cima de todos, e quem não correr... ora, quem ficar é porque é 'maconheiro, vagabundo e blá blá blá
    Esse é que é o grande perigo.
    O reitor (da forma como é escolhido é mero braço do governador) não pode ter PM ao seu dispor, porque isso dá a ele poder de pessoalmente escolher o que pode (o que pode ser dito, escrito, manifestado) dentro do campus, o que se constitui uma agressão à própria democracia. Se é que a USP se considera 'berço da democracia'. Meio contraditório né?
    Espero ter esclarecido os duvidosos que perguntaram aqui.

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  16. As minhas poucas divergências, aqui e ali, tocante à ocupação da Reitoria, não têm o condão de mudar o que penso (e sinto, principalmente): texto primoroso. Parabéns!

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  17. Mais um comentário sobre um dos lados da moeda. Não conheço a USP e sua história, mas quando falo que não apoio totalmente a causa dos estudantes, não se trata daquilo que você mensurou como o mantra do senso comum que diz que "afinal lá só estudam playboys endinheirados". Não. Tenho Uma amiga que mora na cidade de Francisco Morato e estuda lá.. Meu parcial desacordo é baseado na responsabilidade (não culpa) que os alunos tem em manifestar suas ideias. Vários grupos sociais fazem protestos bem organizados, e não precisam da presença da policia para inibi-los. E não defendo a policia, pois seu histórico de truculencia realmente é vasto. Portanto, por mais que eu leia sobre o assunto, tanto na midia quanto em blogs inteligentissimos como o seu, eu não consigo ficar a favor de nenhum dos lados. E não é por pré-conceitos, pré-julgamentos e tal, mas por achar que a coisa toda virou uma bagunça e que agora fica dificil saber quem tem mais culpa. Muito embora já li muita coisa dizendo e comprovando que a Policia teria plantado provas contra os estudantes. Em suma, que os estudantes continuem a organizar seu protestos e desacordos, mas procurem uma outra maneira, pois por mais que essea que eles escolheram tenha sido organizada, acabou não dando certo e provocando um efeito indesejado.

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  18. Perfeito... falou tudo! Realmente fico menos triste ao ver que ainda temos pessoas lúcidas e com senso crítico no nosso Brasil!

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  19. Antes elas eram faculdades, se uniram e viraram universidades: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u372876.shtml

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  20. Caros, apenas para explicar o critério histórico/jornalístico usado no texto: considerei a data de fundação da Universidade, oficialmente, e não das faculdades ou unidades que a constituíram. Se fosse assim, a USP teria também quase 200 anos, pois a Faculdade de Direito (São Francisco) é de 11 de agosto de 1827. Obrigado a todos e abraços! Chico

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  21. Bom texto, mas traz parte da verdade. Faltou perguntar outra coisa: e a quem interessa demonizar a PM de SP? Essa resposta é fácil, meus caros. Se fosse aqui no Rio, onde o "gente fina" Sérgio Cabral barbariza, mas é aliado do governo, não ia ter essa mobilização toda, é ou não é? Poderíamos ser menos parciais, vcs não acham? Vamos ter estudantes criticando a qualidade do péssimo ensino no Rio? Acho que não. Pena!!!

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  22. Texto equilibrado como sempre!Parabéns professor! Ps: O senhor deveria encaminhar este texto aos alunos da FFLCH...Penso que faltou consistência ao movimento por eles conduzido..

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  23. Hoje, sem ter lido ainda seu post, conversava com Fernanda Gusmão "o caso USP" (acredito que tamanha polêmica tenha elevado o tema a esse patamar).
    Bem, uma das coisas que mais me impressionou no tal caso, foi a constatação da morte do bom-senso. Sim. Assim como em Morte e a Morte de Quincas Berro D'água, o Bom-Senso, que tinha a dura missão de ser equilibrado, morreu. O que vemos hoje andando por aí são os amigos de farra levando o velho Bom-Senso a passear, segurado pelos braços, com as pernas arrastadas, para fingirem sua vida.
    Espantoso como o discurso esvaziado tem tomado conta da imprensa e dos "bem-informados" jornalistas com quem convivo. As matérias da Revista Veja, por exemplo, são de fazer rir! É impossível crer que jornalistas tenham a capacidade de sustentar uma opinião conservadora e ignorante como aquelas. São essas pessoas que formam a opinião do país? Dá medo!
    Acho que tenho presenciado uma "afanasização" - uma referência a Afanásio Jazadji - da minha geração. Ou, pior, será que agora, que as pessoas se sentem livres nas redes sociais, estão colocando à mesa uma herança que nem eles conheciam?
    De todas as discussões sobre esse tema, que vai muito além da pauta "maconha", o que me chamou a atenção foi a triste assinatura do óbito do Bom-Senso.
    Resumo geral sobre o caso: 0,06% da comunidade acadêmica da USP conseguiu chamar a atenção da sociedade para o debate, mesmo que perdido entre muitos outros temas. Hoje, não conhecemos apenas "os maconheiros", mas sim a tão reclamada falta de diálogo entre a reitoria e a Universidade. Conhecemos alguns abusos da polícia, conhecemos o modo como foi feita a eleição arbitrária do atual reitor.
    Talvez as mudanças ainda não tenham ocorrido, mas o debate saiu da superficialidade, mesmo que tenha sido pelos poucos olhos atentos que ainda velam o Bom-Senso com a esperança de que ele reanime e possa voltar à atividade!
    Abraços.

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  24. O sr. diz que os adjetivos sao usados por quem nao tem argumentos, mas o engraçado é que os estudantes chamam os criticis de fascistas, sendo assim, é notorio que falta argumentos do lado de la tb, eles mesmos nao sabem oq estao fazendo la. Pura rebeldia sem causa, arbitraria e violenta.
    Os que destroem e invadem o patrimonio publico e impôem a força suas ideias sao totalitarios, e os que defendem o uso da violencia contra esses totalitarios de esquerda, sao tb totalitarios. Os unicos que nao foram totalitarios foram justamente os Policiais militares que apenas cumpriram uma ordem judicial fazendo o uso de força moderado que precisava para cumprir a missão. Se fosse uma ditadura como os estudantes dizem, pode ter certeza q eles nao estariam do lado de fora do carcere para poder livremente se expressar como estao fazendo.

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  25. Pois é, entre muitas outras questões importantes propostas no artigo de Chico vale muito a indagação sobre a origem das tantas vozes do ressentimento contra a USP, a mais importante universidade pública do país. O artigo do Álvaro Pereira Júnior, na Folha de hoje, também aborda a questão. A USP, grande e valioso patrimônio da população paulista e brasileira, precisa ser defendida - e certamente não pela PM.

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  26. Você diz que adjetivo é o argumento de quem não tem argumentos, que reduz o mundo complexo a uma marca. No entanto chama a Policia Militar diversas vezes de facista e a pinta como verdadeira vilã da história. Tem como ser mais unilateral que isso?

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  27. Parabéns Chico pelo excelente texto.
    Eu iria tecer um comentário, mas o amigo acima já o realizou com extrema precisão.

    "Você diz que adjetivo é o argumento de quem não tem argumentos, que reduz o mundo complexo a uma marca. No entanto chama a Policia Militar diversas vezes de facista e a pinta como verdadeira vilã da história. Tem como ser mais unilateral que isso?"

    Ainda não consegui enxergar um motivo se não político para que a PM não possa atuar na USP mesmo sendo um local da esfera federal.

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  28. Para responder a comentário feito acima por um Anônimo (gostaria muito de chamá-lo pelo nome): certamente o problema não é o adjetivo, elemento rico e fundamental da Língua Portuguesa, sem o qual dificilmente conseguimos sistematizar pensamentos (veja só, você mesmo "escorrega" ao cravar no final um "unilateral", ao se referir a meu texto). Longe de mim defender que sejam eliminados de nossos discursos e textos. O problema aparece quando achamos que o adjetivo basta, quando reduzimos a análise do mundo a uma sequência genérica de adjetivos e quando os transformamos em "argumentos". Só para reforçar o que escrevi (e é preciso novamente considerar o contexto, o conjunto da obra, sem recortes ou edições instrumentalizadas): o adjetivo como argumento "reduz o mundo complexo a uma marca – repetida exaustivamente, transforma-se em rótulo, que não desgruda mais. Funciona para desqualificar, para agredir, para achincalhar, para impor falsas verdades. Jamais para debater". É isso o que chamo de Era dos Adjetivos. Trocando em miúdos: o adjetivo pode ajudar a compor argumentos, mas jamais será O argumento. Abraços!

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