sexta-feira, 13 de março de 2015

REVOLTADOS TORCEM POR CONFRONTO NA PAULISTA

O grupo "Revoltados Online", que defende explicitamente o impeachment da presidenta Dilma, promete marcar presença hoje na avenida Paulista, São Paulo, em frente ao prédio da Petrobras, no mesmo horário e local em que sindicatos e movimentos sociais e populares estarão marchando em defesa da empresa estatal, da democracia e da manutenção de direitos sociais dos trabalhadores. O encontro entre as duas manifestações sugere, no mínimo, canja de galinha, cautela e preocupação. Serenidade.
Os mais otimistas dirão que é tudo coincidência, que as ruas são públicas e a praça é do povo, que manifestações são direitos constitucionais. Correto. Sou daqueles que defendem que a política deve mesmo se fazer sempre presente nos espaços públicos, democraticamente.
Mas, vamos lá: por que raios os militantes revoltados pretendem aparecer na Paulista justamente hoje, já que o grande ato deles está, há muito, agendado para o próximo domingo, na mesmíssima avenida Paulista? Por que estar por lá também nesta sexta? Quais as razões e objetivos? Provocar? Arrumar confusão? Intimidar?
A declaração do líder revoltado Marcello Reis na Folha de hoje é uma boa resposta. Quando o jornal pergunta "você acredita que pode haver algum tipo de confronto?", responde o sujeito de bate-pronto que "tomara que haja, porque vamos entrar com todas as ações possíveis contra o sapo barbudo".
O cara diz publicamente que quer confusão. "Tomara que haja". É fala dele. Desejo de enroscos feios. Sem pudores. É mesmo uma expectativa que parece marcar com cores bem nítidas os espíritos de uma parcela razoável dos que estarão nas ruas no domingo (e hoje também, perigosamente). Insisto: reconheço e apoio o direito à manifestação e entendo, sinceramente, que a avenida abrigará e receberá também gente com motivos legítimos e de sobra para protestar.
Mas, atenção - há, nas lideranças e grupos que estão convocando e organizado o protesto, uma irresponsável disposição para instalar o caos, para "ir para o pau", para desestabilizar, para em seguida jogar a responsabilidade por confusões - que, no limite, podem envolver vítimas de confrontos físicos - no colo e nas costas do governo. É uma conduta impulsionada por ódio violento, instintos mais primitivos, destrutiva, disposta apenas a cumprir a missão messiânica de derrubar, de "tirar o PT do poder a qualquer custo, e o resto depois a gente vê como fica", sem propostas ou agendas políticas a oferecer como contrapartida, como bem já destacou o amigo Alceu Castilho.
Vazio de ideias. Almas truculentas. O binômio não é lá muito promissor. E o cenário torna-se ainda mais angustiante quando consideramos o preparo da nossa Polícia Militar para lidar com essas situações de rua. O tom tem sido, invariavelmente, a farta distribuição de sopapos, balas de borracha, gás lacrimogênio e bombas de efeito moral, além de prisões arbitrárias.
Tomara, mesmo, que a sexta-feira não seja treze.

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