sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ACHO...

Acho uma temeridade e tremendo erro político a tentativa de rever meta fiscal no apagar das luzes do ano. Acho de um cinismo atroz ver exércitos de oposição com a faca nos dentes e batendo nos escudos, formação de ataque, posando de vestais da tal da austeridade e da moralidade no trato da coisa pública, apenas querendo ver o circo pegar fogo, como se nunca antes na história desse país administrações com penas e bicos tivessem pedido socorro para maquiar e enbelezar alguns números para então finalmente dar conta da cantada em verso e prosa 'responsabilidade fiscal'. Acho que deveríamos mesmo era parar para pensar se, em tempos bicudos de economia internacional em pandarecos, não seria mais sensato e pertinente mandar às favas, sem escrúpulos de consciência, o superávit que serve para fazer carinhos e afagos no senhor mercado e investir firme esses bilhões de reais na geração de empregos e em políticas públicas de qualidade, priorizando sobretudo o andar de baixo. Acho que tem candidato derrotado em exercício (acho o máximo essa expressão, que colhi aqui nas redes) apostando numa vociferação histérica e irresponsável, a colocar em risco nossa estabilidade democrática, tão duramente conquistada e ainda tão sensível. Acho que tem lobo no aumentativo que resolveu assumir de vez um tão ridículo quanto tosco papel de porta-voz dos reaças inconformados com as urnas. Acho que a presidenta eleita não pode continuar com a cabeça escondida no buraco, como se nada estivesse acontecendo. Acho Katia Abreu da motosserra um escárnio, um chute nas canelas das esquerdas que garantiram a reeleição. Acho deplorável e indefensável arrotar discurso em defesa das mulheres e dos direitos humanos, vomitando cartilhas e guias de conduta por onde passa, para depois não perder a chance de exibir imageticamente a genitália desnuda e investir num machismo que só faz ofender, humilhar e reforçar preconceitos. Acho um saco esse tempo natalino de etiquetas, marcas, compras, lojas, poses, ostentações, correrias, shoppings e 'qual é o valor mínimo do amigo secreto'. Acho 'Judas', do Amós Oz, um baita livro. Acho que o Palmeiras não cai e acorda na segunda na primeira. Quem sou eu para achar tudo isso? Ninguém. Ou um chato de plantão. Acho.

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