sexta-feira, 16 de agosto de 2013

CARTA CAPITAL E O FORA DO EIXO

Há muito o que discutir - e entender - sobre o Fora do Eixo/Mídia Ninja. Muito mesmo. Mas, uma pena, minha impressão é que a matéria publicada pela revista "Carta Capital" que está nas bancas parece ter pouco a contribuir com esse debate fundamental. 

Ao se dedicar a ouvir apenas e tão somente oito ex-integrantes do Movimento, críticos contundentes da iniciativa, o texto acaba se transformando lamentavelmente em narrativa reducionista, limitada, exercício de não reportagem. Porque não há contraditório, contraponto, "o outro lado", reflexões que sejam dissonantes da tese central apresentada pela matéria - em linhas gerais, a reforçar que se trata de uma seita que alicia militantes, não paga cachês a artistas e sobrevive por conta de verbas públicas e outras ações duvidosas. 

Aliás, vamos combinar, há afirmações bastante graves na matéria, como a que sugere o uso de cartões de crédito de pessoas que faziam parte do coletivo para pagar despesas (valores elevados) do FdE. Depois de destacar o financiamento via shows e editais públicos/empresas privadas, a revista diz que "há uma terceira fonte significativa: a apropriação de dinheiro e de bens particulares de colaboradores". Apropriação. Pesado demais para passar em brancas nuvens, sem efetivo, legítimo e amplo direito de resposta, não? Vá lá, a revista diz bem genericamente que o FdE "nega a prática de apropriação, mas reconhece o uso de dinheiro e automóveis dos integrantes". Quem fala mesmo pelo FdE? Qual a fonte? Por que aqui temos um sujeito que não é nomeado?   

Nas três páginas, especificamente, há apenas e tão somente uma fala de três míseras linhas do Capilé, a dizer que as relações afetivas são construídas pelos indivíduos, jamais pelos líderes do movimento. E é só. 

Alguém poderá dizer que esse "era o recorte, o foco da matéria, que o propósito era dar voz aos dissidentes". O raciocínio me parece perigoso, pois, a concordar com esse argumento, teríamos então de aceitar todas as matérias sectárias, parciais e enviesadas publicadas diariamente (ou semanalmente) por tantos outros veículos que, com muita propriedade, Carta Capital invariavelmente critica e condena. 

Jornalismo não é ciência exata. Há singularidades, seleções. Mas o fazer jornalismo exige que sejam seguidos alguns princípios técnicos - e outros éticos. Ouvir os vários lados de uma mesma história é um deles. Se não for assim, vira opinião (talvez o texto da Carta até coubesse como editorial). Ou propaganda. Fundamental que os líderes do FdE/Ninja tivessem aparecido de forma equilibrada, em termos de espaço, na matéria, que poderia ainda, em nome da pluralidade, da melhor versão possível da realidade, ter destacado tantas outras vozes ditas "intermediárias". Afinal, o mundo não é bipolar. Como costumo dizer, há pelo menos 50 tons de cinza entre o branco e o preto. 

Não estou aqui defendendo - nem condenando - o FdE. Não tenho procuração para acusar ou para proteger o movimento. Continuo com dúvidas. Também sei que Carta Capital é diferente de alguns outros panfletos que circulam por aí. Nesta matéria, no entanto, a revista pisou na bola. Por isso, apenas sugiro algumas reflexões que me parecem importantes sobre a prática jornalística. 

2 comentários:

  1. Pessoalmente, levando em conta tão somente a minha opinião e o direito de fazer propaganda ao que eu bem entender melhor para mim, digo, rs, se o padrão é a pizza, que seja pizza então para todos. Atenção: para todos que querem tripudiar sobre o conceito de humanidade.
    Dessa cartola não sai coelho, mas para quem esperava mágica, o ressentimento é também padrão.
    Grande professor, Antonio Bicudo.

    José Expedito dos Santos

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  2. Felizmente veio a tona o que o Fora do Eixo é na realidade. Para quem trabalha no show business como eu sabe das 'tretas' todas. Nao é de hj quem vem muita gente avisando, inclusive o lobao

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