sexta-feira, 9 de setembro de 2011

EUA QUEREM VETAR CRIAÇÃO DO ESTADO PALESTINO

Em novembro de 1947, por meio da Resolução 181, a recém-criada Organização das Nações Unidas determinou a partilha da Palestina (sim, esse era o nome oficial da região), com a criação de dois estados, um árabe e outro israelense. A cidade de Jerusalém, sagrada para as três grandes religiões monoteístas do planeta (cristianismo, judaísmo e islamismo), ficaria sob responsabilidade e administração da própria ONU, representando uma espécie de “patrimônio da humanidade”. 

Com muita razão e legitimidade, os palestinos discordaram dos critérios de divisão (ficaram com 43% do território, embora lá vivessem 5 milhões de árabes; Israel, com 700 mil habitantes, foi premiada com 57% do território. Não é difícil vislumbrar também quem ficou com as melhores terras). As guerras que se seguiram entre os dois povos fizeram com que o Estado palestino jamais saísse do papel; Israel, com a conivência e o apoio das principais potências ocidentais, em nome de interesses geopolíticos, militares, econômicos e estratégicos, chegou a ocupar 100% do território (atualmente, controla aproximadamente 75% dele, ou seja, muito mais do que aquilo que foi determinado pela ONU. Vale lembrar que Israel desde sempre fez questão de solenemente ignorar as resoluções da entidade internacional).

A independência do Estado israelense, aliás, foi declarada de forma unilateral, em 14 de maio de 1948, quando a Organização das Nações Unidas ainda buscava uma saída negociada e pactuada para o conflito. Quem reconhece imediatamente a independência? Os Estados Unidos. E Israel, no ano seguinte, em 1949, foi aceita oficialmente como membro da ONU. O que se seguiu foi a dramática diáspora dos palestinos, que passaram a vagar como apátridas pela região, invariavelmente vítimas de massacres e de políticas truculentas e intolerantes do Estado israelense. 

Pois eis que, tentando retomar aquilo que lhes pertence por justiça histórica e direito internacional (reconhecido e determinado pela própria ONU, não é demais reforçar), os palestinos pretendem aproveitar a próxima Assembleia Geral da entidade, agora em setembro, nos dias 19 e 20, para declarar um Estado independente. O Brasil já se manifestou favorável à iniciativa. Mas os Estados Unidos, polícia do mundo, e mesmo sob a administração do “democrata” (cada vez mais republicano) Barack Obama, já avisaram que usarão inclusive o poder de veto que têm no Conselho de Segurança da ONU para enterrar a declaração de independência, mesmo que a proposta alcance apoio e maioria de votos da Assembleia. Alegam os EUA que o Estado palestino só pode ser criado por meio de negociação com Israel, e não de forma unilateral. Como? Pois essa exigência valeu em 1948, quando Israel anunciou sua independência? Dois pesos e duas medidas. 

Como manifestaram publicamente e em conjunto organizações de esquerda, palestinas e israelenses (sim, há fraturas e divergências em relação ao projeto totalitário de ocupação mantido pelo Estado de Israel), em documento oficial divulgado agora no início de setembro, “apoiamos a iniciativa palestina nas Nações Unidas – instituição que tem a responsabilidade de estabelecer as bases da paz internacional –, solicitando sua inclusão na ONU como membro pleno, o reconhecimento de seu Estado nas fronteiras de 4 de junho de 1967, com Jerusalém oriental como capital, e o fortalecimento dos esforços para acabar com a ocupação das terras do povo palestino. (...) Reconhecemos o direito do povo palestino, vivendo sob ocupação, de fazer uso de todas as formas legítimas de resistência, de acordo com as normas internacionais, para a remoção dos ocupantes de sua terra e por autodeterminação. Nesse contexto, enfatizamos a importância da luta popular conjunta de palestinos e israelenses”.

Esse movimento precisa crescer. A hora é agora. Todo apoio à criação do Estado palestino!

Um comentário:

  1. Um texto esclarecedor e necessário! Saber os precedentes dessa situação histórica é fundamental para uma tomada de posição. Acredito que se todos os conhecessem teríamos outro perfil da opinião pública e, quem sabe, uma atmosfera favorável ou desfavorável, dependendo do caso, a diversas resoluções políticas.

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